Page 189 - XXIII Prêmio Tesouro Nacional 2018
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Resumo
Para ser considerado grau de investimento, um país deve ser classificado
como tal por pelo menos duas das três grandes agências de classificação de risco:
Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch. A partir dos critérios que elas adotam,
este estudo procura identificar os principais determinantes observáveis dos ratings
soberanos. O modelo-padrão construído identifica que doze variáveis em comum
respondem por mais de 90% da variação dos ratings soberanos, para qualquer
uma das três agências. Entre as doze variáveis, duas integram a avaliação fiscal
nas respectivas metodologias empregadas por essas instituições: endividamento
(dívida pública como proporção do PIB) e acessibilidade da dívida (pagamento
de juros como proporção da receita), sugerindo que a elevação de qualquer das
razões leva à redução do rating final atribuído ao soberano. O resultado evidencia
a influência que a saúde fiscal e a estrutura da dívida pública do país exercem
sobre o desempenho de sua economia e sobre os demais agentes públicos e
privados que a integram, uma vez que a avaliação pode ser estendida às notas
emitidas por qualquer uma das Big Three. Para o estudo, foram utilizadas as notas
atribuídas pelas três agências a duzentos indivíduos, em um período de quinze
anos (2000 a 2014), em consonância com a abordagem through-the-cycle por elas
adotada, tendo em vista que períodos curtos não retratariam a resiliência de um
país perante adversidades internas e externas. A abertura financeira parece ser
favorável ao soberano quando avaliado, e Fitch e Moody’s aparentam ser mais
benevolentes nas análises de países industrializados.
Palavras-chave: Agências de classificação de risco. Determinantes do rating
soberano. Dívida pública.
Classificação JEL: C23, E62, G24, H63.